sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Oração do Século

Um dos primeiros registros da comunicação entre o ser humano e Deus é encontrada no Velho Testamento, quando o homem, além de contemplar a criação divina da mulher, dá-lhe também um nome. A rigor, não podemos dizer que tenha havido um diálogo, pois na maioria dos casos relatados nas sagradas escrituras, Deus sempre fala com o homem e muito pouco dialoga com este. Entretanto, no seu anseio de estabelecer uma comunicação direta com Deus, o homem inventou o que chamamos de oração.
Muitos estudos têm sido feitos no sentido de estabelecer os benefícios de uma oração - já que malefícios elas não trazem... Casos de pessoas doentes que conseguiram restabelecer a saúde, casais com problemas conjugais que encontraram a harmonia, cura de males e muitos outros benefícios estão entre as graças obtidas pela oração, segundo o testemunho de pessoas de fé. Todos nós conhecemos pelo menos um caso no qual a oração teve importância fundamental na solução do problema antes existente.
Porém, seja qual for o modo de comunicação que venhamos a estabelecer com Deus, sempre implica no exercício de um diálogo, entre alguém e Deus. Supõe sempre um outro eu, com que se dialoga.Quando a Jesus Cristo foi perguntado onde estava o reino de Deus, de que ele tanto falava, afirmou: - O reino de Deus está em vós! Por meio desse conceito – o da existência de uma divindade em nós mesmos - temos experimentado toda a nossa capacidade de penetrar no reino das criações divinas e conhecer as faces de Deus através do amor, da ira, da justiça, da injustiça, do certo, do errado, do bem e do mal.
Se “Deus não joga dados com o universo” como disse Einstein, podemos supor que Deus e o homem são cúmplices também na criação do universo. O homem, porque promove; Deus, porque permite.
Mas se o reino de Deus está em nós, onde, a porta de entrada? Como podemos entrar nesse reino? Um dos caminhos possíveis é, não resta dúvida, o exercício da meditação. Fechar os olhos em lugar calmo, respirar fundo, silenciar a mente. Para que, em repouso, possamos ouvir o Espírito Santo, que pairava sobre as águas, no Gênesis, e que permeia todo o universo. Para os hinduístas, o Espírito Santo é o Prahna, energia universal. Dentre as várias designações japonesas, encontramos o EN, a informação que tudo permeia. O fato é que, seja qual for o conceito escolhido, estará presente sempre a idéia do contato com a divindade, que, por sua vez, estará sempre refletindo o nosso estado interior – ou se refletindo nele...
Como os estados da mente são um conceito cada vez mais estudado pela ciência, descobrimos que eles se reproduzem nas criações ao nosso redor, seja de harmonia ou de desarmonia, de sanidade ou de insanidade.
É sintomático, pois, que tantos políticos, artistas, empresários e pessoas simples estejam praticando a meditação. Até mesmo presidentes da república como o da Colômbia, Álvaro Uribe ou artistas globais, como Madona, estão incluindo a meditação em suas práticas diárias, conforme declarou em recente entrevista à revista Veja. Como marca do século que se inicia, a prática da meditação tem demonstrado que, após milênios em busca de variadas formas de se falar com Deus, talvez tenha chegado a hora de darmos ouvido a ele.

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