sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Regras para uma nova sociedade

Na minha opinião uma das piores coisas que existe é o fato de estar em um jogo sem saber as regras, de estarmos vivendo segundo os ditames desta ou daquele crença.

Através da observação, venho encontrado algumas pérolas do conhecimento que podem muito bem, compor uma base de regras para a construção de uma nova sociedade, já que a estamos vivendo já deu o que tinha que dar. Alguém aí ainda tem dúvida?

Os principais conflitos que não dão trégua ao ser humano atualmente podem ser resumidas na seguinte frase: O modelo criado para uma vida em sociedade é tão falso e ilusório que a sua implantação tem levado a vida na terra a um estado de deterioração sem precedentes. O quer dizer isto?

Faz mal para o planeta terra o fato de que cada ser humano venha a ter um carro. É nocivo para a humanidade possuir coisas em excesso, isto não traz qualidade de vida permanente, não agrega valor ao nosso cotidiano. O ser humano não suporta mais viver em um mundo onde poucos tem muito e muitos não tem nada, e, tanto o pouco, quanto o muito, não são suficientes para nenhum dos dois.

Como resolver?

Despertar a criança na escola, o adulto no trabalho e o cidadão em comunidade para o valor da simplicidade voluntária, ou seja, que cada um adote um estilo de vida onde o que vai trazer a ele felicidade não é o fato de Ter muito, mas o suficiente para uma vida digna.

Adotar em sociedade um modelo de vida onde o conforto essencial seja a principal fonte inspiradoura das políticas públicas, das leis sociais e do estado de convivência entre os cidadãos. Um conforto essencial que não privilegie uns poucos, mas que distribua o bem estar a todos.

Por fim, qualidade de vida, assegurado não somente a nós que estamos vivendo o momento presente, mas principalmente, aos nosso filhos. Que eles recebam um planeta e uma sociedade melhor do que quando a encontramos. É o já chamado, direito das gerações futuras, que assegura a cada ser humano vivente deste planeta o acesso a qualidade da água, da comida, do ar e do simples viver.

Quero morar em Brasília


Como cidadão brasiliense, tenho acompanhado, com atenção, as notícias sobre as ocupações irregulares de terras e a violência em Brasília. E é com um desabafo, não apenas meu, mas que pretende refletir o sentimento mais simples de cada morador desta cidade, que dedico ao leitor a presente Declaração pelo Direito de Morar e Viver Bem.

Quero morar em uma cidade onde eu possa colocar a cadeira na calçada e observar o movimento da rua e o brilho das estrelas no céu.
Quero morar em uma cidade onde meus filhos possam brincar na grama, pisar na terra e rolar na areia do parque.
Quero morar em uma cidade onde os namorados possam caminhar de mãos dadas, vigiando simplesmente o sentimento de um para com o outro.
Quero morar em uma cidade onde a riqueza esteja no brilho dos olhos, no sorriso dos rostos, no calor do coração e no prazer de viver de cada cidadão.
Quero morar em uma cidade onde o vizinho reconheça o seu vizinho, onde a casa de um seja a casa do outro, onde os filhos de uns sejam também os filhos dos outros.
Quero morar em uma cidade onde a crença comum seja a crença do compartilhar e a do querer o bem.
Quero morar em uma cidade onde os verdadeiros monumentos sejam erguidos sobre palavras, pensamentos e atitudes da verdade e do respeito a cada um.
Quero morar em uma cidade onde o real interesse de cada um seja o de transformar a realidade em uma experiência que tenha valor para todos.
Quero morar em uma cidade onde o respeito às diferenças e a busca da igualdade de condições sejam mais do que conceitos, mais do que ideais: que sejam simplesmente uma prática comum do viver.
Quero morar em Brasília.

As nossas próprias tropas

No momento em que se debate o filme Tropa de Elite, torna-se oportuno tecer algumas considerações sobre a raiz deste mal que assola a nossa sociedade moderna, a violência gratuita.

Outrora, o ser humano em sua história teve demonstrações de barbárie contra o seu semelhante motivados pelo acréscimo de riqueza, poder, dinheiro os chamados pecados capitais e tantos outros, porém, gratuidade de violência, ela um fim em si mesma, com certeza, em nossa sociedade, é um advento sem similares na história. Não podemos dizer que seja um movimento orquestrado por um líder carismático, nem tão pouco de uma facção organizada mundialmente para espalhar o terror, muito pelo contrário, é a morte por R$ 1,00, pelo olhar fora de ora, por estar no lugar errado na hora errada. Hoje a arma de fogo em nosso país é a principal causa da morte de jovens na faixa etária de 16 à 25 anos. O motivo? Deixe a sua imaginação criar o mais fútil possível.

Como se não bastasse, a população fica estarrecida perante os veículos de comunicação, ao ver, jovens, ditos, que possuem berço, família, condição material de vida, serem os responsáveis pelas cenas e fatos mais chocantes, como morte de índio e espancamento de pessoas que apenas estavam ali.

Porém, as origens desta violência gratuita esta na própria família que relegou a educação de seus filhos aos programas de tv sem critério, aos empregados domésticos de frágil, ou nenhuma, formação, as escolas sem professores capacitados e de métodos que privilegiam apenas o status social, formando seres individualistas e competitivos da pior espécie. Quando sobra tempo entre os pais, este é desperdiçado em programas vazios e novamente individuais, perdeu-se o diálogo, o interesse pelo outro, a referência da comunidade.

O ser humano tornou-se um hábil contabilista dos relacionamentos, onde dá-se ao outro apenas a medida de valor que achamos que o outro nos deu. A todo momento estamos motivando as nossas ações em tolos julgamentos de valor - “Eu amo você se você me amar...”; “Eu faço isto para você se você fizer aquilo pela minha pessoa...”; “Primeiro eu depois o outro...” – Criamos regras que regulam a nossa conduta sem perceber que cada um a sua maneira esta tentando dar o melhor de si, achamos que todos, sem exceção, têm a obrigação de saber quem nós somos e o que necessitamos, mesmo que as pessoas não tenham a mínima idéia do que sejam elas próprias. Sequer temos a noção exata do alcance das nossas ações, por menores que sejam. Em nossa sociedade criou-se a cultura de fazermos as coisas tentando nos comprometer o menos possível. Aí a contabilidade é cada vez mais negativa, deficitária.

Desarmar a população não é uma tarefa fácil, porém, esta passa pela necessidade de se agregar valor ao nosso árido convívio social. Compaixão, tolerância, respeito, cooperação, mais espiritualidade e menos religião, conforto essencial, simplicidade voluntária, qualidade de vida, discernimento para reconhecer e conviver de forma harmoniosa com as diferenças.

A moderna violência social é cultivada na distância dos nossos relacionamentos, na impessoalidade com que tratamos os problemas alheios, na tristeza e no vazio que empurramos diariamente às nossas crianças e jovens através das pequenas ações cotidianas. Não lhes damos referências e com isto, eles se perdem, se quebram, se doem.

Há muito tempo aprendi que um abraço cura grandes feridas da convivência, venho exercitando-o diariamente no seio da minha família. Tenho aprendido também que se tratarmos as coisas e pessoas ao nosso redor com um pouco mais de sagralidade, teremos a chance de um ambiente próximo mais acolhedor.

A Tropa de Elite é um convite para elegermos as tropas com as quais iremos construir o nosso próprio mundo, seja através da nossa língua, mente e atitudes. Lembrando um pensamento budista: “Pensar é criar, pense bem”.

O caminho do coração

Depois de trilhar durante trinta dias o Caminho de Santiago, na Espanha, encontrei-me com um amigo também peregrino na Serra da Estrela, em Portugal. Ele me perguntou, então, o que aprendi sobre espiritualidade. Disse-lhe o seguinte: Creio ainda não saber o que é espiritualidade, mas com certeza sei identificar as principais características que comprovam a sua existência.
Entre as características da espiritualidade consigo evidenciar cinco: mente aberta, felicidade, fé, tolerância e menos burocracia espiritual.
No nosso dia-a-dia tendemos a ficar muito focados em nossos próprios interesses, e isso nos tem impedido de olhar ao redor, perceber a dimensão da vida em sua totalidade e o papel que representamos nesse contexto. Por isso, e durante o Caminho de Santiago, vivi experiências que me permitiram ampliar minha visão. Uma dessas experiências foi a de encontrar pelas estradas, pedras em forma de coração. Na medida em que eu as encontrava e as distribuía a outros peregrinos, estes, por sua vez, começavam a encontrar as suas próprias pedras e, na medida que iam presenteando os outros, também eles começavam a encontrá-las. Aos poucos foi se formando uma rede que se interligava por quilômetros. Dizem que o Caminho de Santiago é o Caminho do Coração.
Outra característica da espiritualidade é a Felicidade, e ela só vem através do jogo de cintura, da flexibilidade no caminhar, não orientado pela quantidade de quilômetros que se havia programado cumprir, mas pela dinâmica do dia e a percepção das inúmeras e gratas surpresas que o Caminho nos reservava. Aprendi a desfrutar o Caminho, e por isso, ao chegar, fui tomado por emoções que eram um misto de fé e de felicidade por tudo o que havia vivido e pela humildade de ter compreendido melhor as minhas próprias fraquezas e fortalezas.
A Felicidade me trouxe Fé, a renovação da crença no que está por vir, naquilo que não vejo e nem por isso temo a existência. Fé que permite estar disponível para a vida, confiante nela, isento do germe da decepção, crendo no melhor de cada pessoa e situação. Por isto senti-me e sinto-me protegido por ela, a Fé. Mesmo quando senti dores musculares e outros sintomas causados pelo esforço físico, percebi que era a vida me sinalizando que deveria adotar um outro ritmo, dispor de mais tempo para descanso e para desfrutar da beleza ao redor.
O Caminho de Santiago é trilhado nas diferenças: do clima, dos tipos de estrada, dos albergues, da disposição do corpo neste ou naquele dia. Porém, as principais diferenças mostraram-se na convivência com as pessoas. Por meio da observação e do exercício da tolerância, imergi em situações em que procurava sentir-me na situação do outro, que, como eu, estava em busca da sua própria paz de espírito, em busca do sagrado em sua própria existência. Casais, solteiros, homossexuais, pessoas sozinhas, famílias inteiras iam se mesclando, em suas diferenças, para se tornarem, ao final de cada dia, simples peregrinos de um mesmo caminho, mais ou menos conscientes da sua própria existência.
Finalmente, andando no Caminho aprendi a desenvolver experiências espirituais sem burocracia. Aprendi a falar, a sentir e a estar com Deus como que diretamente, tal como ele se manifestava em cada momento. Descobri que ele pode estar em situações difíceis, fáceis, dentro de uma igreja, na beira de um rio, na solidão de cada encontro ou fazendo-se presente em cada instante solitário.Como um cego, que não pode definir o que é a luz, sentimos que a espiritualidade é apenas o sinal daquilo que brilha, mas que não podemos ver.

A Oração do Século

Um dos primeiros registros da comunicação entre o ser humano e Deus é encontrada no Velho Testamento, quando o homem, além de contemplar a criação divina da mulher, dá-lhe também um nome. A rigor, não podemos dizer que tenha havido um diálogo, pois na maioria dos casos relatados nas sagradas escrituras, Deus sempre fala com o homem e muito pouco dialoga com este. Entretanto, no seu anseio de estabelecer uma comunicação direta com Deus, o homem inventou o que chamamos de oração.
Muitos estudos têm sido feitos no sentido de estabelecer os benefícios de uma oração - já que malefícios elas não trazem... Casos de pessoas doentes que conseguiram restabelecer a saúde, casais com problemas conjugais que encontraram a harmonia, cura de males e muitos outros benefícios estão entre as graças obtidas pela oração, segundo o testemunho de pessoas de fé. Todos nós conhecemos pelo menos um caso no qual a oração teve importância fundamental na solução do problema antes existente.
Porém, seja qual for o modo de comunicação que venhamos a estabelecer com Deus, sempre implica no exercício de um diálogo, entre alguém e Deus. Supõe sempre um outro eu, com que se dialoga.Quando a Jesus Cristo foi perguntado onde estava o reino de Deus, de que ele tanto falava, afirmou: - O reino de Deus está em vós! Por meio desse conceito – o da existência de uma divindade em nós mesmos - temos experimentado toda a nossa capacidade de penetrar no reino das criações divinas e conhecer as faces de Deus através do amor, da ira, da justiça, da injustiça, do certo, do errado, do bem e do mal.
Se “Deus não joga dados com o universo” como disse Einstein, podemos supor que Deus e o homem são cúmplices também na criação do universo. O homem, porque promove; Deus, porque permite.
Mas se o reino de Deus está em nós, onde, a porta de entrada? Como podemos entrar nesse reino? Um dos caminhos possíveis é, não resta dúvida, o exercício da meditação. Fechar os olhos em lugar calmo, respirar fundo, silenciar a mente. Para que, em repouso, possamos ouvir o Espírito Santo, que pairava sobre as águas, no Gênesis, e que permeia todo o universo. Para os hinduístas, o Espírito Santo é o Prahna, energia universal. Dentre as várias designações japonesas, encontramos o EN, a informação que tudo permeia. O fato é que, seja qual for o conceito escolhido, estará presente sempre a idéia do contato com a divindade, que, por sua vez, estará sempre refletindo o nosso estado interior – ou se refletindo nele...
Como os estados da mente são um conceito cada vez mais estudado pela ciência, descobrimos que eles se reproduzem nas criações ao nosso redor, seja de harmonia ou de desarmonia, de sanidade ou de insanidade.
É sintomático, pois, que tantos políticos, artistas, empresários e pessoas simples estejam praticando a meditação. Até mesmo presidentes da república como o da Colômbia, Álvaro Uribe ou artistas globais, como Madona, estão incluindo a meditação em suas práticas diárias, conforme declarou em recente entrevista à revista Veja. Como marca do século que se inicia, a prática da meditação tem demonstrado que, após milênios em busca de variadas formas de se falar com Deus, talvez tenha chegado a hora de darmos ouvido a ele.